
Lá estava ela, pronta para pensar em seu livro e longe da vida urbana. Aquela senhora de olhos tristes, felizes e misteriosos, observava o nublado amanhecer enquanto colhia gotas de saudade, com gosto de camomila. As rugas da espera dançavam em suas fantasias e se perguntava o sentido de realizar, já que era possível imaginar. Descobriu que existia um lugar, onde era possível ficar com suas lembranças, logo desenterrou do fundo de seu quintal emocional, um velho diário cinza de frases mal feitas, de rabiscos e fotos envelhecidas. Sob a colcha de retalhos, lembrava em forma de espiral daquela noite em que decidiu perder o medo de tentar, lembrou das conversas nos botecos de sempre, da música, da fulga e da inspiração. Bem ali na sua frente, o papel e a caneta, tinha o poder em suas mãos, o poder de revelar algo que mudaria o pensamento de muitos, ou poderia simplesmente não dividir a verdade com ninguém. Poderia escrever qualquer besteira, algo simples ou importante, gastaria a mesma quantidade de tinta e o mesmo tempo. Na verdade ela sabia exatamente o que queria e fez a escolha certa. Agora corre por aí feliz, corre estonteante, corre nua na chuva, afinal é o encontro com ela mesma.
Emily, adorei seu estilo! muito bom!
ResponderExcluirbjos
Kleber