domingo, 22 de maio de 2011
Random
Escrevo para deixar devoluta a minha mente, e ter espaço para mais alguma representação mental de algo abstrato ou concreto. Deixo amadurecer o escrito, assim evito enlouquecer, é por isso que venho me refugiar. Nesta cidade bucólica fiz meu esconderijo, e há tempos convido meus pensamentos para passarem dois ou três dias. Estou aqui em meu canto, aquecida e protegida pela madeira do chalé. Com o suéter xadrez que ganhei no último outono e meus óculos de armação retrô parecido com os dele , sentindo a fumaça que sai da xícara de café. A madrugada de hoje trouxe junto a calmaria uma vontade graciosa de parar tudo, de enxugar as lástimas, arregaçar as idéias e nada fazer. Deixar o insensato me indagar. Por que se todos os dias eu aprendo o caminho da ida, é justo que o acaso me traga de volta. O tempo me carrega assim, de forma tão lúcida que me faz sentir o frio inato da realidade, me acalma e acende meus anseios. Faz-me lembrar da onda que vivia em sublimação, aquela que tentava descobrir o que é mais desmedido, nunca encontrar o amor ou encontrar e assisti-lo passar. O cheiro desses livros na estante, são como fotografias de tempos bons, amizades antigas, festas, bares, músicas, ousadia e amores indestrutíveis.
A essa hora, passada a nostalgia, fazendo das minhas palavras a pura contradição. Já esqueci o ontem, não me envolvo no agora, e também não sei para onde viajar no próximo mês . Não sei se durmo, se penso, se escrevo ou se apenas existo. Talvez ser feliz é apenas ser. Subir na árvore da coragem e enfrentar, não cair, desviar. Me disseram que nem tudo é para acontecer, sonhos podem ser só imaginação, perdão ou poesia. Mas eu refutei, aprendi que o melhor vem depois da espera. Viajei e conheci pessoas, enfrentei e arrisquei o mundo. Dei duas voltas no planeta, fui e voltei de ré. Só para saber se em alguém eu poderia confiar. Eu tive medo mas ainda assim eu tentei, dividi o frio e conheci o calor. Agora eu consigo respirar no escuro, sou minha melhor companhia, pois um gole de afeto próprio me satisfaz. Quero a noite inteira só pra mim. Quero o grito e o despertar. Quero deixar voar, vem e deixa rolar, vá e fique onde está, abra a janela e permita-se! Nessa incansável busca de compreender o sentido de tudo, eu quero mais é de nada saber.
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Bonito o texto, Emily!
ResponderExcluirBjs
Oi, Emily, valeu pelo comentário! Só pra você saber, caso queira comprar meu livro, já é possível pelo site da editora (ainda não tem em loja, q eu saiba)
ResponderExcluirhttp://www.oitoemeio.com.br/802/catalogo/festa-na-usina-nuclear/
Bjs